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Envolto pelo universo das noivas, Edifício Mariana coleciona histórias
Publicado em 12/07/2012 18:06:20



Quando Márcio Deslandes de Matos destranca os cadeados dos portões do Edifício Mariana, no Centro da capital, ele sabe do turbilhão de sonhos e expectativas que o dia aguarda. Essa familiaridade foi adquirida com os 38 anos dedicados à função de encarregado geral do condomínio, que o habituou aos movimentados corredores de um dos maiores centros comerciais de Belo Horizonte. Ao todo, são mais de 270 lojas, divididas em 12 andares, que apesar de oferecer comércios diversos, são compostos majoritariamente por produtos e serviços relacionados ao universo das noivas. “Cerca de 2.500 pessoas passam por aqui diariamente”, contabiliza Márcio. Construído na década de 1940, o prédio, que antes foi espaço para advogados, alfaiates e dentistas, é, desde 1994, Patrimônio Cultural, e segue celebrando a união de casais, mas sem esquecer de colecionar histórias.

Uma delas quem conta é a fotógrafa Ivanilde Almeida, ao se lembrar da cobertura de um casamento que se tornou inesquecível. “O lugar era o Santuário Santo Antônio de Roça Grande, em Sabará. Igreja lotada, noivo alinhado, decoração pronta. Nesse dia até a noiva foi pontual. O problema foi o pastor que não compareceu à celebração”, relembra. No convite, o casamento começaria às 19h, mas naquele dia, os noivos só subiram ao altar depois das 23h, com a chegada de um pastor substituto, acionado de última hora. O bacana é que o episódio só fortaleceu o casal e ainda rendeu novos trabalhos para a Ivanilde. “Os dois continuam juntos! Inclusive, já ganhei três novos clientes indicados por eles, por ter sido flexível com o horário e tolerante com a situação. É o que chamo de custo benefício!”, brinca a fotógrafa, que desde 1996 trabalha com casamentos.

Em algumas lojas, o aluguel de um vestido segue o cronograma que percorre os sete dias da semana. Na Allyence Damas, no 6º andar, por exemplo, as medidas são tiradas na terça-feira. Ao longo da semana é o tempo que as funcionárias levam para modelar o vestido ao tamanho da cliente. Feito isso, o vestido é lavado, se necessário, ganha um reforço no bordado e em seguida é embalado. As peças saem da loja prontas para serem usadas e costumam ser retiradas na sexta-feira, com devolução marcada para a segunda. Essa regra vale apenas para os vestidos que exigem pequenas alterações.

Investimento

O investimento para se alugar um vestido de noiva fica entre R$ 650 e, isso mesmo, R$ 6 mil. Já o custo para as damas de honra ficam entre R$ 150 e R$ 800. Além dos trajes específicos, o edifício ainda oferece serviços de foto e vídeo, convites, artigos para festas, lembrancinhas e vestidos para debutantes. Sem contar os serviços de dentistas, protéticos, radiografia dentária, despachantes, advogados, pronta entrega e restaurantes. O horário de funcionamento é das 9h às 19h.

Foi esse extenso catálogo de ofertas e possibilidades que motivaram os jovens José Caldeira e Natália Rodrigues a fazerem o orçamento pelas lojas do prédio. “Nosso casamento está marcado para o dia 2 de agosto. Como não tivemos muito tempo para organizar os preparativos com mais antecedência, conseguimos resolver 70% das pendências em um único lugar”, conta o noivo. Com este mesmo intuito, a vendedora Aline Borges Costa começa a correr atrás das exigências para o seu casamento, que acontece em abril do próximo ano. “Casar sempre fez parte do meu sonho. Vivi muita coisa ao lado do meu namorado e estou feliz em começar essa nova fase com ele”, conta. “Já tenho até meu vestido em mente: ela será branco, rodado, com uma cauda longa”, explicou, empolgada.

Retorno positivo

Na opinião da costureira Maria Antonieta Sampaio, que trabalha na área há 5 anos, o trabalho com as noivas é gratificante e vale a pena todo o esforço. “Gosto de imaginar a reação das noivas, principalmente quando chegam os vestidos novos. Fico emocionada em ver a noiva dentro daquele modelo, sentindo o que ela sente. A emoção é tão grande que algumas até choram”, lembra. Sua companheira no trabalho e proprietária da loja Beth Noivas, Maria Fernandes Costa também chama atenção para um fato curioso. “Em agosto ninguém gosta de casar, tenho só uma noiva agendada. As pessoas costumam dizer que o mês traz má sorte para o casal”, conta.

Questionada sobra as supertições, Maria ainda explica que algumas envolvem até as estações do ano. “Antigamente, os casamentos aconteciam com maior frequência no mês de maio. Mas hoje os noivos estão preferindo casar em setembro, o mês que primavera começa. Não custa nada arriscar, não é mesmo?”, disse, em sorrisos a empresária.
 

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