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Nosso Velho Chico
Publicado em 30/03/2017 09:54:48

Um passeio pelo Aquário do Rio São Francisco pode revelar muitas curiosidades. Antes mesmo de passar por sua portaria, o visitante se depara com canoas que antes cortavam as águas do “Velho Chico”, mas que agora repousam silenciosamente nos jardins repletos de agapantos, lírios e azaléas. Ao som de uma cascata com águas abundantes, esse visitante recebe o convite para conhecer a “nascente” do rio, e apreciar as diversas espécies de peixes de água doce ao percorrer, simbolicamente, os 2.800 km de extensão do “rio da integração nacional”, que corta 5 estados e 521 municípios brasileiros.

O Aquário possui 21 tanques distribuídos por uma área de aproximadamente 3 mil metros quadrados, em dois pavimentos, onde vivem cerca de 3 mil peixes. Além disso, possui diversos elementos que remetem diretamente à cultura das populações ribeirinhas que devem seu sustento ao “Velho Chico”, como: duas réplicas do barco a vapor Benjamin Guimarães, esculturas de São Francisco e típicas carrancas de embarcações que ainda hoje servem de amuletos de proteção e salvaguarda para os barqueiros, viajantes e moradores contra as tempestades, perigos e maus presságios.

Conservação

Vale ressaltar que no último dia 5 de março o Aquário completou sete anos, e vem reforçando cada vez mais sua importante contribuição para o conhecimento, o estudo e a conservação das espécies de peixes de água doce que ainda podem ser encontradas na Bacia do Rio São Francisco.

Entre as várias espécies de peixes presentes no local estão alguns de grande porte, como dourado e surubim, e espécies ameaçadas de extinção, como o pirá e os pequenos rivulídeos. Estes são conhecidos como “peixes das nuvens”, pois vivem em ambientes temporários que se alagam na época das chuvas e, no período de estiagem, secam totalmente. Nesse momento, todos os peixes morrem, mas os ovos ficam enterrados no solo esperando o início de um novo ciclo das águas para eclodir.

Todos eles convivem com outras espécies que também se encontram em diferentes situações de risco, como cascudo, matrinxã, curimatã, pacu, pacamã, mandi, curimba, piau, piranha, lambari e acará.

De acordo com o veterinário e gestor do Aquário do Rio São Francisco da FZB-BH, Carlyle Mendes Coelho, esse é um ambiente que foi planejado para que as pessoas se sentissem literalmente às margens do rio, para que pudessem conhecer uma amostra do poder e riqueza de suas águas. “A estrutura do Aquário, composta por cascata, ribeirão, lagoa marginal e tanques, apresenta de modo didático grande parte da biodiversidade do São Francisco. Além da manutenção e exibição de 60 espécies, dentre as mais de 200 encontradas no Rio São Francisco, a FZB-BH apoia e incentiva os esforços para a conservação dos peixes em seu ambiente natural. Nossa equipe participa dos comitês gestores do Plano de Ação Nacional (PAN) São Francisco e do PAN Rivulídeos, coordenados pelo ICMBio”, explica.

É exatamente por meio desses comitês que alguns estudos científicos vêm sendo desenvolvidos com o objetivo de manter populações geneticamente viáveis para uma possível reintrodução na natureza. Um exemplo desse esforço de conservação foi apresentado na dissertação de mestrado “Salinidade e concentração de presas na larvicultura do killifish anual Hypsolebias radiseriatus (Cyprinodontiformes: Rivulidae)” de autoria do biólogo e tratador de animais do Aquário do São Francisco, Luciano Medeiros de Araújo. Defendida em fevereiro deste ano, na Faculdade de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o estudo auxilia na criação de técnicas e protocolos de reprodução de uma espécie de rivulídeo em laboratório.

Cenografia dos tanques

Para manter toda essa exuberância da fauna no Aquário é necessária uma equipe preparada, que cuida de cada detalhe: desde a limpeza dos espaços de visitação e áreas restritas, passando pela segurança, e, principalmente, assegurando a manutenção dos tanques e os cuidados com as espécies de peixes que lá habitam.

A ambientação dos tanques, por exemplo, reproduz o modo como o rio e suas margens são de fato na natureza. Vistos de frente ou de cima, como acontece com o Tanque Maior, os elementos se harmonizam e criam uma perspectiva muito fiel da realidade. Peixes como o surubim encontram refúgios perfeitos em uma estrutura feita de fibra de vidro e cercada por galhos de arbustos, plantas aquáticas, pedras e outros elementos. Nos demais recintos, as reentrâncias e tocas foram moldadas em isopor recoberto por cimento. Tudo para que os animais tivessem áreas de descanso e privacidade.

O responsável pela cenografia dos tanques e equipamentos de filtragem do Aquário é Ronaldo Amaral Lopes. Trabalhando há 15 anos na FZB-BH, Ronaldo intuitivamente trouxe para a cenografia dos recintos uma parte das lembranças e percepções do tempo em que era menino e que ia pescar com o pai nas margens do São Francisco. “Sou uma pessoa que sempre mexi com artesanato, com coisas feitas à mão. Aqui pude aperfeiçoar esse dom. O trabalho é criativo, intuitivo. Tento fazer algo muito próximo ao natural. É importante observar a necessidade dos animais. Passei a conhecer os hábitos de cada um deles. Sempre trabalho para o bem-estar dos animais e para a apreciação do público”, revela.

Educação Ambiental

A equipe do Serviço de Educação Ambiental da FZB-BH realiza atividades que possibilitam ao público um maior conhecimento sobre as espécies de peixes e sua importância ecológica.

De acordo com a ecóloga, mestre em sustentabilidade, e agente de visitação Aline da Costa Rodrigues Pereira, a educação ambiental está totalmente ligada à sustentabilidade, daí a importância de atividades, como “Uma noite no Aquário”, oficinas, apresentações teatrais, gincanas, jogos, e outras ações que reúnem crianças, pais, amigos e parentes que desejam conhecer mais sobre esse universo.

Aline e Ana Carina Roque, que é bióloga e também agente de visitação, explicam que o objetivo dessas atividades é permitir que as pessoas conheçam o comportamento das espécies, as diferenças entre elas, as estratégias de sobrevivência, o tipo de alimentação e habitat, entre outros aspectos. Tudo com o intuito maior de explicar as relações do homem com o meio ambiente e o que pode ser feito em prol da conservação. “Nossa maior recompensa é quando vemos o brilho no olhar de uma criança, quando recebemos um abraço inesperado e conseguimos sensibilizar as pessoas”, relata Ana Carina.

Serviço

O Aquário do Rio São Francisco está localizado na Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte (avenida Otacílio Negrão de Lima, 8000). Funciona de terça-feira a domingo (incluindo feriados), das 8h30 às 16h (com permanência até às 17h). Crianças com até 4 anos não pagam. Adultos com idade superior ou igual a 60 anos e crianças de 5 a 12 anos pagam meia-entrada. Já a Visita Noturna ao Aquário é uma atividade que acontece toda segunda terça-feira de cada mês, das 18h às 21h.

 

Texto e fotos: Suziane Fonseca

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