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Edifício Acaiaca: uma fachada imponente no centro da cidade
Publicado em 17/02/2017 14:04:23


Foto João Paulo Vale

As faces indígenas que observam os passantes da avenida Afonso Pena do alto do edifício Acaiaca ainda impressionam pela imponência. As esculturas-símbolo do que foi o prédio mais alto da cidade durante muitos anos, e de onde se podia ter uma visão privilegiada da via até a Serra do Curral, continuam a chamar a atenção de quem caminha na região central da cidade.

Situado entre as ruas Espírito Santo e Tamoios, no Centro de Belo Horizonte, o edifício Acaiaca tem 130 metros de altura e guarda curiosidades da época de sua construção em seus 29 andares. Inaugurado em 1943 com apenas cinco andares e concluído em 1947, a construção preserva formas pontiagudas e angulares em estilo art déco do projeto original.

Hoje com 70 anos, o primeiro arranha-céu da cidade chegou a ter um movimento de 35 mil pessoas por dia nas décadas de 50 e 60 abrigava muitos estabelecimentos. Um atrativo de destaque na época era a loja de roupas femininas que vendia casacos de pele e possuía um salão para desfiles. O porão do prédio, atualmente usado apenas para carga e descarga, serviu como abrigo antiaéreo, construído para a defesa de um suposto ataque alemão à cidade, no contexto da Segunda Guerra Mundial.

Na década de 1960, o edifício abrigava a TV Itacolomi, o que fazia com que muitos artistas e curiosos circulassem pelos seus corredores. Além disso, a sede mineira do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também funcionaram no local, o que tornava o prédio um polo de cultura.

O Acaiaca também tinha uma boate frequentada pela alta sociedade e pela classe política, incluindo o prefeito da capital na época, Otacílio Negrão de Lima. Abrigava, ainda, o Cinema Acaiaca, inaugurado em 1948, com capacidade para 826 pessoas, e para o qual se formavam grandes filas de espectadores. O cinema foi fechado em 1998. Neste espaço, atualmente, funciona uma igreja evangélica.
Atualmente, o local reúne escritórios de advocacia e de odontologia, e o cidadão comum não tem mais acesso à parte mais alta da famosa vista da avenida Afonso Pena: os últimos andares do prédio são reservados à parte administrativa e sua cobertura está em reforma. A possibilidade que belo-horizontinos têm é o acesso à vista da parte frontal do prédio nos andares inferiores ou a ida até o 25º andar para vislumbrar, através da janela, a vista da parte de trás do prédio, que não deixa de ter sua graça. Surge a imagem do metrô, do viaduto Santa Teresa, da avenida Assis Chateaubriant, com carros minúsculos. E, ao fundo, uma cidade que se perde nas verdes serras mineiras.

Lenda indígena
O nome Acaiaca veio de uma lenda indígena. Reza a lenda que nas proximidades do então Arraial do Tejuco, hoje cidade de Diamantina, havia uma tribo de índios que lutavam contra os habitantes do vilarejo, invadindo, por vezes, o local. Perto da taba, havia uma árvore grande e frondosa, que os índios chamavam de “Acaiaca”.

Os índios contavam que, no começo do mundo, o Rio Jequitinhonha e seus afluentes transbordaram, inundando tudo. Todos os índios morreram. Somente um casal escapou, subindo na Acaiaca. Quando as águas baixaram, eles desceram e começaram a povoar a terra de novo. Por conta dessa lenda, a tal árvore era muito venerada pela tribo; os índios acreditavam que, se ela desaparecesse, a tribo também teria o mesmo fim.

Túnel do tempo
Um observador mais atento pode viajar no tempo ao observar os detalhes da construção do Acaiaca que remetem ao passado. O nome escrito em neon rosa no hall de entrada e também em bronze nas laterais internas dos seis elevadores chamam a atenção. O hall e rampa de acesso para as sobrelojas são revestidas em mármore travertino e o piso foi feito em granito preto, da época em que tudo era feito para durar muitos anos. E durou: o prédio foi revitalizado em 1972 e em 2001, preservando algumas curiosidades, como colunas internas com apoio inferior em forma de cogumelo, o que permite que todas as paredes possam ser retiradas, transformando os andares em imensos salões.

Presença de índios
Além das faces indígenas esculpidas no Edifício Acaiaca e das famosas ruas centrais com nomes das tribos brasileiras Tupis, Guajajaras e Timbiras, a cidade tem outros locais em que são feitas homenagens aos índios.
Duas outras edificações têm esculturas com índios: uma é a sede da Prefeitura de Belo Horizonte (avenida Afonso Pena, 1212, Centro, em frente ao Parque Municipal). À direita de quem vê o prédio de frente, três homens “seguram” colunas que sustentam o símbolo da República. Outro lugar é o Clube Belo Horizonte, na Pampulha.
Os quarteirões fechados da Praça Sete tem, desde 1991, nome das tribos mineiras Krenak, Pataxó, Xacriabá e Maxacali.

Edifícios
Formado na primeira turma de arquitetura de Belo Horizonte (1936), o arquiteto Luiz Pinto Coelho é responsável por quatro outros prédios de BH, entre eles o Edifício Randrade (1941), primeiro edifício vertical de apartamentos, localizado esquina da praça Raul Soares com avenida Augusto de Lima; e o Edifício Rotary (1965), feito em parceria com Arturo Garcia, localizado na esquina da rua da Bahia com Guajajaras.

Fontes
Belo Horizonte (MG). Isto é Belo Horizonte: (1895-2006).
Damasceno, Marília. Um marco na verticalização urbana. Estado de Minas, Caderno Cidades, página 18, 12 out 1994.
Figueiras, Paulo. Índio ‘chora’ em plena avenida. Estado de Minas, Caderno Cidades, 19 abr 1991.
Guia arquitetônico de Belo Horizonte. Alejandro Pérez-Duarte Fernandez (coord.). Belo Horizonte, Editora C/Arte, 2014.
http://portalpbh.pbh.gov.br/pbh/ecp/noticia.do?evento=portlet&pAc=not&idConteudo=106657&pIdPlc=&app=salanoticias
https://pt.wikipedia.org/wiki/Edif%C3%ADcio_Acaiaca
http://www.otempo.com.br/cidades/acaiaca-o-mais-alto-de-belo-horizonte-1.312462
http://www.otempo.com.br/cidades/acaiaca-setent%C3%A3o-vanguardista-1.1429345
 

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