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Conheça as atrações das feiras de sábado na avenida Carandaí
Publicado em 02/02/2017 17:40:19


Foto Marcelo Machado

De um telefone sueco de 1892 a uma moeda de ouro da época do império brasileiro, passando por uma rara fôrma jesuítica de hóstia do Século XVIII e cédulas com a imagem de Che Guevara e Sadam Hussein, a Feira de Antiguidades é uma viagem no tempo para belo-horizontinos e turistas, sempre aos sábados, na Avenida Carandaí, no bairro dos Funcionários.

Entre os 20 expositores dessa feira permanente promovida pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), um dos mais veteranos é Jovercy Hermenegídio, de 73 anos, há 28 trabalhando no evento. Entre relíquias como rádios de madeira, castiçais de bronze e ferramentas antigas, entre outras, o destaque na barraca dele é um telefone sueco da marca Ericsson, ao preço de R$ 3 mil.

“Era usado na Estrada de Ferro Central do Brasil para fazer a comunicação entre as estações”, conta o expositor, referindo-se à linha férrea que esteve em operação por 111 anos, entre 1858 e 1969, ligando os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais.

Especializado em material numismático, Flávio Marcos Fron vende cédulas de países como Madagascar, Irã, Indonésia, África do Sul, Tanzânia e Uganda, entre outros. Uma cédula de 3 pesos do Banco Central de Cuba, com a imagem do líder revolucionário Che Guevara, sai por R$ 35, mesmo preço de uma do Banco Central do Iraque, de 25 dinares, com a então imponente figura de Saddam Hussein.
O tesouro maior na barraca de Fron, porém, é uma moeda de ouro de 6.400 réis, cunhada em 1833 com a imagem do imperador Dom Pedro II ainda criança. “Essa custa R$ 11 mil”, afirma o expositor, exibindo a preciosidade. Há cinco anos na feira, Fron destaca que o público no local é bem variado: “Aqui é um lugar muito gostoso, debaixo dessas mangueiras. Vem criança, vem adolescente, adulto, idoso. De 8 a 80.”

Morador do bairro Anchieta, o projetista mecânico Silvio Pádua, 52, visita a feira pelo menos uma vez ao mês. “Isso aqui é sensacional. Tem de ser preservado”, diz ele, que é fã de objetos antigos e coleciona canivetes, canetas, relógios, isqueiros e lampiões.

A professora de francês Maria Mansur e a chef de cozinha Cláudia Lobo também marcam presença com boa frequência na Feira de Antiguidades. “Adoro estar ao ar livre entre essas árvores. Gosto de observar objetos antigos. Aqui tem muita elegância, memória”, comenta Maria. “É um lugar simpático, agradável, com muita gente bonita”, completa Cláudia.


Louças e legados

O expositor Theódulo Amaury, 72, trabalha na feira há dez anos e é especializado em peças raras e curiosas de colecionismo. Vende desde garrafas de leite e refrigerantes a placas de carro e publicidade. Um médico e cliente assíduo rodeava a barraca, cortejando uma forma de hóstia em ferro fundido, uma peça de quase 300 anos. “Custa R$ 1.700. Ele (o cliente) me ofereceu R$1.200. Não aceitei”, relata.
Há 20 anos como expositora, Tereza Trindade é especializada em objetos de decoração em prata, bronze, cristal, vidro e porcelana, além de móveis em estilo barroco e outras antiguidades. Na barraca dela, um criado bombê egípcio tem o preço de R$1.300. Destaque para duas peças de porcelana italiana bordada a ouro 22. Cada uma custa R$ 900.

“O público aqui na feira é muito bom. São pessoas cultas que conhecem ou buscam conhecer a história. Cada peça tem uma história, né?! Então as pessoas param, olham... Podem até não comprar, mas admiram, veem que são coisas que trazem beleza, cultura, alegria”, observa Tereza.

A história de Álvaro Ribeiro, o Ferreirinha, 51, está sentimentalmente ligada à feira. Isto porque o pai Ferreira, morto há sete anos, era expositor e trabalhava no local acompanhado da esposa Terezinha, agora em uma vida mais caseira. Professor durante a semana, Ferreirinha decidiu dar sequência ao negócio e mantém a barraca da família na ativa.

“É um legado dos meus pais. Aprendi a garimpar com eles. Meu pai sabia comprar e minha mãe era craque em vender. Eu tento fazer como eles (risos)”, brinca Ferreirinha, que tem as louças como carro-chefe da barraca. Um jogo de chá nacional dos anos 60, da extinta marca Mauá, com oito peças, sai a R$ 410.
“A feira é mesmo uma viagem no tempo. Aqui as pessoas podem se recordar de coisas que viam na casa dos pais, avós, parentes. Tem muita curiosidade, é a valorização da história”, define Ferreirinha.
 

Alimentação

Paralelamente à Feira de Antiguidades funciona a Feira Tom Jobim de Comidas e Bebidas Típicas, com 11 expositores que comercializam comidas como feijão tropeiro, torresmo, tilápia, acarajé, contra-filé com jiló e cebola, tapioca, entre outras tentações, além de bebidas.

Ambas promovidas pela PBH, as feiras surgiram em 1983, aos sábados, na Praça da Liberdade, e foram regulamentadas em 1984. Em 1991, as duas foram transferidas para a Avenida Bernardo Monteiro, por meio do Decreto 6.762. Em 1997, a Feira de Comidas e Bebidas passou a se chamar Feira Tom Jobim, por meio da Lei 7.426 de 16 de dezembro de 1997.

A cada sábado, as feiras reúnem um público estimado em quatro mil pessoas na Avenida Carandaí, entre a Avenida Brasil e a rua Ceará. A Feira de Antiguidades funciona de 9h às 15h. Já a Tom Jobim, que é sempre animada com shows musicais, funciona de 10h às 18h.

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