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SUS-BH garante moradia digna para últimos pacientes de sofrimento mental que viveram em hospícios na capital
Publicado em 04/03/2016 18:03:00

Agora é oficial. A Prefeitura de Belo Horizonte não possui leitos em hospitais psiquiátricos. O dia 1º de março é uma data para ficar na história da saúde pública da capital, por marcar o fim das internações de longa permanência de pacientes com transtorno mental.

Os últimos cinco pacientes que estavam temporariamente internados no anexo do Hospital Sofia Feldman, no bairro Carlos Prates, foram transferidos para uma Residência Terapêutica no Bairro Esplanada, Região Leste da capital, inaugurada na mesma data para recebê-los. A capital conta com 33 residências terapêuticas distribuídas por toda cidade, com 279 moradores.

Os usuários transferidos foram pacientes da Clínica Serra Verde, que encerrou as atividades em 2012. Com o fechamento da instituição, os pacientes viveram no anexo do Hospital Sofia (Rua Padre Eustáquio, 807 – Carlos Prates). Para celebrar, cerca de 30 pessoas, integrantes da Coordenação de Saúde Mental da SMSA, representantes do Conselho Municipal de Saúde, pacientes da saúde mental e simpatizantes, foram para frente do hospital comemorar essa importante etapa.

O coordenador da Saúde Mental da SMSA, Arnor Trindade, afirma que o momento é muito positivo para a saúde mental no município. “Essa transferência hoje tem dois importantes aspectos. O primeiro é do ponto de vista do cuidado, tirando essas pessoas de situações degradantes, que há muito tempo foram privadas de serem cidadãos, pois passaram boa parte de suas vidas em um manicômio. E o segundo, da importância política, já que essa é a última instituição, deste tipo, em Belo Horizonte”. afirmou, Trindade.

Trindade acredita que a partir dessa data os pacientes passam também a ter novas oportunidades. “É uma possibilidade deles serem tratados como pessoas, serem inseridos na comunidade, de ter uma vida mais digna, mais humana”.

O Presidente do Conselho Municipal de Saúde, Wilton Rodrigues, acredita que uma meta antiga, hoje está se concretizou. “É uma bandeira que nós carregamos, a muito tempo e que hoje está se concretizando. Esses pacientes agora terão um local mais adequado, sem ambiente hospitalar. É uma conquista”.

As residências terapêuticas são moradias para portadores de sofrimento mental, que foram abandonados por suas famílias e pela sociedade em uma instituição psiquiátrica. Essas casas possibilitam a cidadãos, antes excluídos do convívio social, o direito de conviver em sociedade e terem os demais direitos respeitados.

A criação das residências terapêuticas segue determinação da Lei Federal 10.216, das portarias 106/01 e 3088/12 do Ministério da Saúde, e ainda as diretrizes da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial. De forma humanizada, nessas moradias eles recebem apoio de profissionais de saúde mental para acompanhamento de sua saúde e recebem o direito de viver fora de instituições, como os antigos hospícios.

A coordenadora do SRT, Marina Marques Soares, explica a estrutura e os benefícios das residências terapêuticas. “Viver em uma residência terapêutica representa a possibilidade do reencontro com a cidade; representa poder ir e vir quando quiserem, de acordo com o desejo e autonomia de cada um, respeitando a singularidade. Os moradores têm a liberdade de escolher o que querem comer, vestir, assistir na televisão, podem sair acompanhados ou sozinhos, e participar de outros espaços, como estudar e passear.”

A residência terapêutica que os últimos pacientes foram transferidos é ampla, com três quartos, dois banheiros, áreas externas para convívio social, copa, cozinha. Os usuários têm o apoio de nove cuidadores que fazem os serviços e acompanham e auxiliam nas atividades diárias.
 

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