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Censo revela perfil da população de rua de Belo Horizonte
Publicado em 30/04/2014 19:35:02



A Prefeitura e a Universidade Federal de Minas Gerais divulgaram nesta quarta-feira, dia 30, na Faculdade de Medicina da UFMG, os resultados do Terceiro Censo de População em Situação de Rua, com informações que vão contribuir para a definição e o reordenamento das políticas públicas voltadas para esse grupo populacional de Belo Horizonte.

Um dos dados relevantes da amostragem é o elevado índice de utilização dos serviços públicos disponibilizados pela Prefeitura por parte da população em situação de rua. O censo detectou que 54,5% dessas pessoas fazem suas refeições diárias nos restaurantes populares, 43,4% dormem nos abrigos municipais e 44,2% utilizam a rede municipal de saúde, percentual que sobe para 49% quando se considera o atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

O levantamento revela, também, que a grande maioria dessa população (94%) se diz interessada em deixar a vida nas ruas, e registra o envelhecimento e a melhoria do grau de escolaridade dessas pessoas. A maior parte (64,2%) das pessoas que vivem nas ruas de BH vem do interior de Minas (39,7%) ou de outros estados (24,5%). Em geral, elas migram para a capital em busca de trabalho, emprego ou dos serviços públicos.

O censo identificou 1.827 pessoas em situação de rua no município, distribuídas em todas as regiões da cidade, com predominância nas regiões Centro-sul (44,8%), Norte (15,6%), Nordeste (9,3%) e Pampulha (9,2%). As demais regiões apresentaram índices inferiores a 6%. Cerca de 12% dos entrevistados afirmam trabalhar com registro em Carteira de Trabalho, apesar de viverem nas ruas, e 72% dos que se encontram nessa situação já trabalharam um dia com registro.

O sexo masculino é predominante, com 86,8% dos entrevistados, e a idade média é de 39,6 anos. A pesquisa mostra também que, em relação ao último censo, realizado em 2005, população de rua de Belo Horizonte envelheceu. Mais da metade dos entrevistados tem entre 31 e 50 anos, o que requer uma nova leitura desse cenário para a implantação de políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde e assistência social.

Outra mudança significativa no perfil da população em situação de rua foi a redução de famílias vivendo nessa condição em Belo Horizonte. Apenas 5,9% dos entrevistados disseram viver em companhia de parentes. Em 1998, quando foi realizado o primeiro censo em BH, as famílias representavam 24,8% dos moradores de rua. Esse índice caiu para 13,6% em 2005 e, agora, é inferior a 6%.

Os problemas familiares encabeçam a lista de motivos alegados pelas pessoas para viver em situação de rua, em Belo Horizonte, com 52%; em seguida vem o abuso de álcool e/ou drogas, com 43,9%; falta de moradia, com 36,5% e desemprego, 36%.

Para a secretária municipal de Políticas Sociais, Gláucia Brandão, “o censo é importante para que a Prefeitura possa conhecer mais profundamente o perfil dos moradores de rua de Belo Horizonte, qualificar os serviços públicos e melhorar o atendimento, no sentido da promoção e reinserção social”. Gláucia acredita que este é um instrumento eficaz para “garantir que estas pessoas possam alcançar o exercício pleno da cidadania”.

O coordenador da pesquisa, professor Frederico Garcia, do Centro de Referência em Drogas da UFMG, assinala que “a grande importância do censo é trazer informações atualizadas sobre a população em situação de rua e sobre a avaliação dos serviços da Prefeitura, possibilitando que as políticas públicas sejam mais bem pensadas”.
Informações detalhadas sobre o Terceiro Censo de População em Situação de Rua de Belo Horizonte podem ser obtidas no documento a seguir:

 

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