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PBH prepara início da operação do Move na capital
Publicado em 04/11/2013 18:25:17



Com as obras de implantação do Transporte Rápido por Ônibus (BRT) chegando à etapa final em Belo Horizonte, a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) intensifica a preparação para o início da operação do Move (nome dado ao BRT da capital) a partir de fevereiro de 2014. Ao longo da última semana, a empresa reuniu diretores, gerentes, supervisores, analistas e técnicos em uma série de treinamentos e avaliações para inauguração do Move. Batizada de “Day 1 do BRT”, a semana de atividades incluiu a participação de consultores internacionais e de representantes da rede Embarq, entidade com sede em Nova York e que auxilia governos e empresas no desenvolvimento de soluções de transporte sustentável.

A cooperação técnica firmada com a Embarq Brasil permitiu que a BHTrans trouxesse a Belo Horizonte importantes especialistas com experiência na implantação do sistema rápido por ônibus. A consultoria tratou de estudos, planejamento e troca de experiências com cidades da América Latina onde o BRT foi implantado. Angélica Castro, ex-gerente geral e ex-diretora de Planejamento da Transmilenio (Bogotá) e Mario Valbuena, que comandou a implementação e operação das primeiras linhas do sistema colombiano, conheceram as futuras instalações do Move e, durante um workshop com a participação de representantes da BHTrans, analisaram o que viram. Eles apresentaram, em detalhes, a experiência no início da operação da Transmilenio, em 2007. O trabalho desenvolvido com os especialistas internacionais servirá como base para elaboração dos manuais de procedimentos e também para a definição de um plano de contingências do Move.

“A experiência de outras cidades, seus erros e acertos, podem ajudar muito Belo Horizonte”, disse Angélica Castro, ao expor os desafios que Belo Horizonte irá enfrentar até que toda a população possa usufruir integralmente dos benefícios do sistema. Além de Bogotá, experiências com o BRT em cidades do Chile e do México foram apresentadas. Angélica destacou ainda a questão cultural da população como importante aspecto a ser considerado na transição do sistema convencional para o BRT e disse que, além de mostrar os benefícios do sistema aos usuários, é fundamental investir recursos para treinamento e educação do usuário.

Depois de um intenso processo de elaboração do projeto para adoção do BRT em Belo Horizonte, o presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar, considerou o “Day 1” uma das mais importantes etapas estratégicas de implantação do sistema na cidade. “A inauguração é crucial para o sucesso do sistema. Essa capacitação dá a dimensão dos desafios enfrentados por outras cidades”, disse. Para Celio Freitas, diretor de Planejamento da BHTrans, as atividades foram extremamente positivas para traçar o plano de início de operação do BRT. Celio Freitas destacou que para a etapa de elaboração dos manuais de procedimento, será fundamental investir no detalhamento da operação, com treinamento de operadores e aposta total na comunicação ao usuário, sem economizar esforços.

Experiências anteriores em relação ao transporte público na cidade, segundo Ramon Victor Cesar, reforçaram a importância destacada no “Day 1” de diluir o início da operação do Move em etapas. Ramon explicou que a programação, a partir de fevereiro de 2014, quando o Move será inaugurado, é iniciar com o corredor Cristiano Machado, em três etapas, e, depois, com o corredor Antônio Carlos/Vilarinho/Pedro I, em quatro fases.

Dentro da programação da semana, houve ainda, o “Road Map”, que reuniu especialistas da BHTrans, técnicos da Sudecap e das empresas concessionárias do transporte coletivo para uma dinâmica de alinhamento estratégico de ações para início da operação do Move. O encontro também foi realizado sob consultoria da Embarq Brasil.

Projetos para bicicleta em BH

Outra atividade realizada pela BHTrans na última semana foi o curso “CicloCiudades”, que trouxe à Belo Horizonte um dos principais especialistas da América Latina em projetos de mobilidade sustentável e promoção do uso da bicicleta, o mexicano Jesús Sánchez Romero. Depois de percorrer vários trechos de ciclovias implantados na capital mineira, Jesús Sanchez recebeu especialistas da BHTrans e de outros órgãos públicos de trânsito do país para um curso com partes teórica e prática, realizado no Museu Mineiro por meio de uma parceria entre a BHTrans e o Instituto de Políticas de Transportes e Desenvolvimento (ITDP).Referência no México e na América Latina em projetos sustentáveis de mobilidade, o consultor mostrou e avaliou as melhores práticas pelo mundo em relação à bicicleta e elogiou a qualidade do material usado na pintura das ciclovias da cidade. O encontro contou ainda com a participação de cicloativistas de Belo Horizonte, que contribuíram com as impressões do que vivenciam no dia a dia da cidade. No encontro, Jesús Sanchéz anunciou que o ITDP prepara uma versão brasileira do curso “CicloCiudades”, dedicado aos gestores públicos e atualmente reunido em seis volumes no idioma espanhol.Jesús falou da importância de as cidades investirem em projetos sustentáveis de valorização da bicicleta e destacou ser fundamental que as ações considerem a interligação entre as diversas formas de locomoção. “Se quisermos ter uma cidade em que as pessoas usem a bicicleta, temos que incentivar a intermodalidade em que os sistemas de transporte público aceitem cada vez mais a bicicleta”.

Em Belo Horizonte, o Move valoriza a bicicleta com a implantação de bicicletários nas estações de integração e liberação para transporte das bikes dentro dos ônibus, aos sábados à tarde, nos domingos e feriados. A cidade conta atualmente com uma rede cicloviária de 50 quilômetros de ciclovia e se prepara para chegar, em 2020, a 380 quilômetros de espaços exclusivos para quem se desloca de bicicleta. Em todas as suas ações, a BHTrans tem trabalhado em total parceria com os ciclistas, através do Grupo de Trabalho (GT) Pedala BH, criado no fim de 2012. Através do GT Pedala BH, o município se comprometeu a somente liberar ordens de serviços para construção de novas ciclovias ou realizar intervenções em rotas já construídas após discussão dos projetos com os ciclistas.

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