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Parque Primeiro de Maio, referência em recuperação de áreas naturais
Publicado em 17/05/2013 16:22:53



O que antes era uma área com esgoto a céu aberto, com uma considerável quantidade de lixo acumulado e sofrendo uma ocupação territorial desordenada, deu lugar a um espaço de convivência, lazer e prática de atividades físicas que beneficiou diretamente três mil pessoas na região Norte de Belo Horizonte. O Parque Primeiro de Maio foi inaugurado em abril de 2008 por meio do Drenurbs, o programa de Recuperação Ambiental e Saneamento dos Fundos de Vale e dos Córregos em Leito Natural de Belo Horizonte, também conhecido como programa Nascentes, que promove a recuperação de áreas degradadas através de ações de revitalização. Uma área de lazer e de preservação que a população reivindicava há tempos se transformou em referência na cidade em relação à recuperação de espaços e mostrou que é possível concretizar ações importantes com planejamento e organização.

Cleuza Aparecida Fraga, de 44 anos, frequentadora assídua do parque, fazendo caminhada todos os dias, exceto nos fins de semana, é uma das pessoas que confirmam o benefício que a reestruturação do espaço trouxe à população. “Moro na região há 23 anos e o espaço melhorou demais. Era uma área com água muito suja. Agora é diferente. Foi a melhor coisa já feita aqui na região”, disse a auxiliar de serviços. Na área, hoje preservada, passa o córrego Primeiro de Maio, um afluente do ribeirão Pampulha. Durante a época de implantação do parque, ações da Prefeitura garantiram o sucesso do empreendimento, como proteção de nascentes, criação de bacia de contenção de cheias, construção de sistema de drenagem, redes coletoras e interceptores de esgotos, além de mobilização junto à comunidade com viés na aprendizagem e conscientização ambiental e a realocação e indenização de famílias que residiam no local.

Referência no projeto de revitalização de áreas, o parque recebe anualmente diversas turmas de alunos e profissionais de áreas como Meio Ambiente, Biologia, Arquitetura e Geografia. No fim do ano passado, o parque recebeu estudantes do 3º ao 7º períodos de Engenharia Ambiental do Centro Universitário Patos de Minas (Unipam). A visita, orientada, mostrou aos alunos como um projeto de recuperação de uma bacia é implantado e os efeitos deste procedimento para o meio ambiente e para a população.

Uma nova realidade

Símbolo do programa Nascentes, o parque, que tem uma área de 33.770 m², é a concretização da transformação de um local poluído em área de preservação ambiental. O terreno baldio, com esgoto a céu aberto, deu lugar a um espaço de lazer ambientalmente preservado, com pista de caminhada de 500 m de extensão, quadra poliesportiva, mesa de jogos, brinquedos infantis, equipamentos de ginástica e sanitários públicos, além de uma arena. Nove nascentes fazem parte do parque, mas apenas cinco delas podem ser vistas pelo público. As demais estão dentro da mata fechada. Mas há um alerta: “A água não é própria para consumo ou banho”. Quem avisa é Marco Antônio Domingos da Silva, chefe de Manejo e Operações da Fundação de Parques Municipais (FPM).

“Esse lugar não era bacana, mas hoje tá ótimo. Eu venho aqui quase todos os dias com meu filho de 2 anos e minha netinha de 1 ano. Eles amam este parque”, disse a dona de casa Rute Alves Cunha, de 44 anos. Mas ela não vai ao parque apenas para levar as crianças. “Voltei a estudar e estou concluindo o meu 2º grau. Neste momento, estudo filosofia. E é bem melhor estudar aqui do que em casa, certamente”, conclui.

Aproximadamente, 30 espécies de árvores estão distribuídas por todo o parque. Entre elas, pau-brasil, pau-ferro, ipês, pata de vaca, sibipiruna e quaresmeira. Existem ainda espécimes frutíferos como a amoreira e o cajá-manga. A fauna também é diversa. Há tartarugas, peixes, preá, serpentes não peçonhentas, além de aves como pica-pau, saracura, frango d’água e biguá, este também chamado de pato selvagem.

Além disso, a área verde do parque recebeu uma complementação de 650 mudas do programa Uma Vida, Uma Árvore, da Prefeitura, ação que prevê o plantio de um exemplar para cada criança registrada na capital.

Promoção da saúde e do conhecimento


Diversos grupos usam o espaço do parque para a promoção da saúde e do conhecimento. Que para ter uma vida longa é preciso boa alimentação e exercícios físicos todo mundo sabe. E, para tal, além de aproveitar o belo espaço, em meio à vegetação e ao ar puro, os frequentadores podem desfrutar de atividades regulares ocorridas no parque. No local, a Academia da Cidade realiza suas atividades nas segundas, quartas, sextas e sábados, das 8h às 10h, como caminhadas orientadas em grupo e exercícios com bolas e bambolês. Outra oportunidade de mexer com o esqueleto é proporcionada pela ginástica terapêutica chinesa lian gong, que acontece nas segundas-feiras, às 7h, e nas quartas-feiras, às 16h.

Com o Escotismo, mais uma atividade disponível aos frequentadores do parque, crianças e adolescentes aprendem técnicas práticas do trabalho em equipe e da vida ao ar livre. Tudo isso com base em um sistema de valores humanos como fraternidade, lealdade, altruísmo, responsabilidade, respeito e disciplina. As aulas ocorrem aos sábados, das 13h30 às 17h, e são ministradas pelo Grupo Escoteiro Primeiro de Maio (Geprim), projeto da Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial que conta o apoio da Guarda Municipal. É voltado a crianças a partir dos 7 anos e tem investimento de R$ 16 mensais. Viagens em grupo também são programadas. Outra alternativa de atividades são as oferecidas pelo programa Escola Integrada, com ações complementares ao currículo escolar.

Herbanário


Imagine uma horta onde a própria comunidade faz uso e ajuda a manter as plantas sempre cuidadas. No parque Primeiro de Maio isso é uma realidade. Segundo histórias de antigos moradores da região, uma senhora cuidava do canteiro com mudas de plantas medicinais e, quando necessário, os habitantes do bairro buscavam folhas para produção de chás e pastas medicamentosas. Após a implantação do parque, o espaço foi mantido e a própria comunidade continua utilizando a vegetação para tratamento de eventuais doenças. O herbanário também é cuidado por jardineiro contratado pela administração municipal e é um projeto pioneiro nos parques que receberam ações do Drenurbs. “Aqui podemos encontrar temperos como orégano, cominho e hortelã, citronela para afastar mosquitos, boldo para o fígado e cavalinha para os rins. Temos também dipirona, alfavaca, guiné, capim cidreira, orelha de coelho e saião”, disse Plínio Marcos Pedrosa, monitor do parque.

Além de Plínio, Rosilda Cardoso também é monitora. Ambos trabalham há aproximadamente três anos no Primeiro de Maio, auxiliando os visitantes em visitas orientadas no parque. Eles fizeram curso introdutório em Fitoterapia e contribuem na distribuição das plantas ao público. Ao todo, o parque tem quatro monitores que exercem o trabalho de orientação ao público, dois a cada dia.

Serviço
Horário de Funcionamento: de segunda-feira a domingo, das 8h às 18h
Localização: rua Joana D'Arc, 190 – Bairro Primeiro de Maio
Informações: (31) 3277-6649
Entrada gratuita

 

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