A vigilância epidemiológica é um dos componentes do Programa de Controle da Leishmaniose Visceral (PCLV) que atua visando diminuir os riscos de transmissão mediante controle da população de reservatórios e do agente transmissor. A vigilância da leishmaniose visceral compreende a vigilância entomológica, de casos humanos e casos caninos. No município de Belo Horizonte desenvolve-se a análise da situação epidemiológica, com o objetivo de indicar as ações de prevenção e controle a serem adotadas. A partir da ocorrência do primeiro caso de leishmaniose visceral humana (LVH) em Belo Horizonte, no ano de 1994, a doença apresentou processo de expansão territorial no município. As taxas de letalidade (número de óbitos pela doença em relação ao número de casos notificados da doença no período) são altas (a média dos últimos 11 anos é de 13%) e em 2008 passou de 10,5% para 19,3% em 2009 (Tabela 1, Tabela 2 e Figura 1).

Tabela 1 - Coeficiente de incidência média anual para a leishmaniose visceral na população residente de Belo Horizonte, no período de 1994 a 2009.

Ano Casos novos População Indice por 1 milhão/hab Letalidade(%)
1994 29 2.084.100 1,39 20,7
1995 46 2.106.819 2,18 8,7
1996 48 2.091.371 2,30 6,2
1997 47 2.109.223 2,23 8,5
1998 25 2.124.176 1,18 16
1999 33 2.139.125 1,54 9,1
2000 44 2.238.526 1,97 18,2
2001 57 2.258.856 2,52 15,7
2002 77 2.284.469 3,37 11,7
2003 103 2.305.813 4,47 8,7
2004 134 2.327.049 5,76 18,1
2005 111 2.375.330 4,67 9
2006 128 2.399.920 5,33 9,5
2007 110 2.424.295 4,54 8,1
2008 161 2.434.642 6,61 10,5
2009* 62 2.424.295 2,56 19,3

Fonte: SINAN / GEEPI / GECOZ / SMSA
Dados parciais - 18/08/2009

Tabela 2 - Casos humanos de leishmaniose visceral, por regional de residência, 1994-2009, Belo Horizonte

DISTRITO 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 TOTAL
Barreiro 0 0 1 1 1 1 3 1 3 2 6 6 9 5 10 6 55
Centro Sul 0 3 4 1 3 5 3 1 3 6 5 6 3 5 9 1 58
Leste 17 15 18 17 7 3 1 3 8 10 16 12 9 13 16 3 168
Nordeste 12 24 12 11 4 7 16 15 17 12 24 14 23 21 40 8 260
Noroeste 0 0 5 6 4 2 4 6 9 17 24 17 30 22 29 9 184
Norte 0 2 3 7 1 11 9 11 12 25 22 20 14 12 13 7 169
Oeste 0 1 1 1 2 0 4 3 3 3 10 11 10 7 9 7 72
Pampulha 0 0 1 1 0 0 3 8 5 11 6 10 3 6 5 3 62
Venda Nova 0 0 0 0 3 4 1 9 17 16 21 14 24 17 26 13 167
Indeterminado 0 1 1 2 0 0 0 0 0 1 0 1 3 2 4 5 20
TOTAL 29 46 48 47 25 33 44 57 77 103 134 111 128 110 161 62 1215

Figura 1 - Evolução da LVH em Belo Horizonte no período de 1994 a 2009.

Figura 2-Casos humanos e Óbitos de Leishmaniose Visceral de Residentes em Belo Horizonte/MG, por Distrito Sanitário de Infecçao, ano 2004

Fonte: GEEPI/GECOZ-SMSA/PBH

A Tabela 4 apresenta as taxas de positividade canina nos regionais de Belo Horizonte, nos anos 2004 a 2008.

Tabela 4 - Percentual de positividade de Leishmaniose Visceral Canina, em Belo Horizonte, 2004 a 2008.

DISTRITO 2004 2005 2006 2007 2008
Barreiro 2.2 3.7 9.6 7.3 8.3
Centro Sul 3.8 2.5 3.7 3.7 3.9
Leste 6.5 6.0 9.3 8.8 6.0
Nordeste 8.6 8.0 11.6 10.3 9.1
Noroeste 8.4 8.7 10.2 9.3 7.8
Norte 8.7 10.8 9.8 10.0 7.1
Oeste 7.4 6.8 8.4 8.2 6.8
Pampulha 9.5 8.9 9.7 9.4 7.1
Venda Nova 10.3 11.5 12.8 11.5 8.3
Belo Horizonte 7.45 7.96 9.86 9.30 7.63

Figura 3 - Taxas de positividade canina, nas Regionais de Belo Horizonte, anos 2002 a 2004 .

Fonte:  GECOZ-SMSA/PBH

As ações de controle são desenvolvidas de forma sistemática e direcionadas de acordo com a estratificação das áreas de transmissão ou de risco, considerando os casos humanos e também a incidência da doença na população da área, os percentuais de positividade canina, condições ambientais favoráveis à transmissão e áreas com reincidência recente de casos humanos.

São desenvolvidas ações de controle voltadas para o principal reservatório urbano, o cão, com realização de exames laboratoriais e retirada dos cães soropositivos (Figura 4). Além disto, o controle do vetor é realizado por meio de borrifações de imóveis com inseticida de ação residual para combate aos insetos adultos (Tabela 4). São repassadas orientações aos moradores visando o adequado manejo ambiental para evitar a manutenção de criadouros. 

O Laboratório de Zoonoses da PBH (LZOON) examina, mensalmente, cerca de 18 mil amostras de leishmaniose canina, dentro das técnicas preconizadas pelo Ministério da Saúde, o que tem possibilitado a retirada dos reservatórios soropositivos (Tabela 4).

Tabela 4 - Medidas de controle da leishmaniose visceral desenvolvidas no município de Belo Horizonte, 1993 a 2009. 

Ano
Ano
Sorologias Realizadas
Cães Positivos
Domicílios Borrifados
1993
2.415
133
-
1994
13.869
554
4.302
1995
122.291
3.965
46.743
1996
108.022
4.691
46.604
1997
142.286
4.531
22.525
1998
54980
2.426
12.443
1999
105.636
4.042
46.129
2000
106.894
3.316
61.355
2001
84.512
4.325
53.336
2002
161.918
9.095
122.824
2003
118.403
10.065
125.823
2004
82.181
6.119
151.677
2005
149.470
11.901
160.671
2006
83.879
8.268
161.258
2007
155.643
14.476
113.126
2008
163.090
12.449
76.439
2009*
95.014
6.329
35.416
TOTAL
1.750.503
107.225
1.234.260

Figura 4 - Comparação entre nº de cães positivos para leishmaniose visceral detectados e retirados em Belo Horizonte no período de 1996 a 2004

Fonte: GECOZ-SMSA/PBH

No período de abril de 2001 a março de 2003, foram recolhidos dados para o desenvolvido de estudos, em parceria com o Centro de Pesquisas René Rachou/ FIOCRUZ (CPqRR/FIOCRUZ) para conhecer a presença, distribuição e monitorar a dispersão da Lutzomia longipalpis (vetor da leishmaniose visceral) no município de Belo Horizonte.
Neste estudo, a espécie capturada em maior quantidade foi a Lutzomia longipalps, espécie vetora da LV (Figura 5).

Figura 5 - Espécies de flebotomíneos capturados mensalmente no município de Belo Horizonte , MG, com armadilha de CDC no período de Abril de 2001 a Março de 2003.

Fonte:CpRR/FIOCRUZ e GECOZ/SMSA-BH

A Lutzomia longipalps foi capturada no peri e no intradomicílio, fato que demonstra o comportamento sinantrópico (animais ecologicamente relacionados com o homem ou com o seu habitat) desta espécie (Figura 6).

Figura 6 - Flebotomíneos capturados no peri e no intradomicílio no município de Belo Horizonte no período de Abril de 2001 a Março de 2003.

Fonte:CpRR/FIOCRUZ e GECOZ-SMSA-BH

Das espécies de flebotomíneos capturados nas áreas verdes do município, a Lutzomia longipalps foi encontrada em pequeno número, o que reforça a mudança de seu habitat natural para as áreas urbanizadas (Figura 7).

Figura 7 - Flebotomíneos capturados com armadilha de Shannon nos parques e reservas florestais de Belo Horizonte .

O trabalho confirma os indícios já referidos de que o período de maior transmissão da LV ocorra durante e logo após a estação chuvosa, quando há um aumento da densidade populacional do inseto.

Referencias Bibliográficas:

   1. Manual de Vigilancia e Controle de Leishmaniose Visceral. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilancia em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica;  1ª ed., Brasilia-DF, 2004.
   2. Manual de Controle da Leishmaniose Tegumentar Americana, Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde, Brasília-DF, 2000

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

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