Referência da arquitetura moderna brasileira, o projeto original e o paisagismo da Casa do Baile foram concebidos por Oscar Niemeyer e Roberto Burle Marx, que propunham uma integração total com o ambiente da lagoa. Niemeyer afirma ter sido o projeto com o qual ele se ocupou das curvas (sua marca registrada) com mais desenvoltura. A planta se desenvolve a partir de duas circunferências que se tangenciam internamente. Delas desprende-se uma marquise sinuosa, bem ao gosto barroco, que provoca o olhar e dialoga com as curvas das margens da represa. Essa marquise é suportada por colunas e termina em outro pequeno volume de forma amebóide. À frente desse volume, há um pequeno palco circular cercado por um lago. O projeto estrutural é de autoria do engenheiro Albino Froufe.

Inaugurada em 1943, a edificação comportava um restaurante com pista de dança, cozinha e toaletes. Situada numa ilha artificial, ligada por uma pequena ponte de concreto à orla, a Casa do Baile foi projetada com a finalidade de criar na Pampulha um espaço de diversão popular.

Como espaço de lazer e entretenimento nas noites belo-horizontinas, logo tornou-se palco de atividades musicais e dançantes frequentada pela sociedade mineira. A proibição do jogo, no Brasil, em 1946, resultou no fechamento do Cassino, atual Museu de Arte da Pampulha - MAP, o que afetou o funcionamento da Casa do Baile fazendo com que esta encerrasse suas atividades.

A partir daquela data, sob a administração da Prefeitura, o espaço abrigou vários usos e variados fins comerciais. Nos anos 80, funcionou como anexo do MAP, como restaurante e acabou novamente fechada. Em 2002, a Casa do Baile foi reaberta após sua restauração, realizada sob a coordenação do próprio Niemeyer, com a colaboração dos arquitetos Álvaro Hardy e Mariza Machado Coelho. Com novos sistemas de climatização e iluminação, seus jardins também passaram por um processo de revitalização, obedecendo à intenção paisagística da proposta original de Burle Marx. Na ocasião da reinauguração, Oscar Niemeyer desenha dentro da casa o croqui do conjunto arquitetônico da Pampulha, estabelecendo uma relação entre este e a construção de Brasília. Desde então, a Casa do Baile funciona como Centro de referência de Urbanismo, Arquitetura e Design.

Como reconhecimento de sua importância para a identidade cultural do país, a edificação mereceu o tombamento nas três esferas: federal, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN; estadual, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais/IEPHA-MG e municipal, pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte/CDPCM/BH.


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