A primeira estação rodoviária do País

Na década de 40, os jornais anunciaram que Belo Horizonte seria a primeira capital do País a ter uma estação rodoviária com a centralização de todo o serviço rodoviário.

A primeira Estação Rodoviária do Brasil foi inaugurada, em junho de 1941, atrás da Feira de Amostras, de frente para a avenida do Contorno, no Governo Benedito Valadares .

Sua construção foi realizada pela Secretaria de Agricultura, tendo como secretário Israel Pinheiro, futuro governador do Estado que construiria a Rodoviária atual.

A Estação Rodoviária era um prédio de dois andares com uma pista coberta por marquise, onde havia espaço para dez ônibus.

A partir dessa construção, ocorreram outras mudanças no serviço de transporte rodoviário, como a numeração das poltronas e maior rigor no cumprimento de horários, na vistoria dos ônibus e passagens vendidas .

Meados da década de 50, a estação antiga já não tinha condições mínimas de atendimento para a elevada movimentação de passageiros. Eram 500 auto-ônibus, 160 linhas de menor percurso, sendo necessário improvisar uma plataforma em área cedida pela Central, na rua Aarão Reis. Não comportava, portanto, o alto volume de ônibus e passageiros. Para amenizar o problema até a construção da nova Rodoviária, em1965 , o DER construiu à rua Curitiba, entre as avenidas Oiapoque e Contorno, uma estação provisória de embarque de passageiros.

A construção do TERGIP

Pela necessidade de solução à curto prazo, a obra de instalação do novo Terminal foi colocada como prioritária no plano do Governo Israel Pinheiro. A decisão de construí-lo no centro da cidade foi tomada em conjunto pelo governador e os arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer com obras a cargo do DER-MG.

A Feira de Amostras foi demolida em 1965 para a ampliação e modernização da estação, com "objetivo de tornar mais perfeito possível o sistema rodoviário mineiro".

O projeto arquitetônico contou com modernistas como Walter Machado, Fernando Graça, Francisco G. Santos, Luciano Passini, entre outros. A equipe era composta por engenheiros do DER, agrupada na CEORBEL (Comissão Especial de Obras da Estação Rodoviária de Belo Horizonte), sob a direção inicial do engenheiro Geraldo Martins Guerra e, depois, Maurício Bizzoto . Os serviços foram empreitados à firma SERGEN S.A., vencedora da concorrência pública , com administração e fiscalização da CEORBEL.

As obras foram concluídas em menos de dois anos com início em agosto de 69 e término no início de 71. A inauguração do novo Terminal Rodoviário de BH se deu em 9 de março de 1971, sendo considerado o maior e mais moderno da América Latina, atendendo a uma demanda de até 17.134.000 passageiros por ano.

A área de 28.000 m2 possibilitou a construção de oito plataformas de embarque com capacidade para 64 partidas simultâneas.

A ousadia e magnitude da obra com estrutura de cobertura em concreto armado lhe conferiram prêmio da 1a Bienal de Arquitetura de 1971, dando fama à cidade. "O Terminal é como se fosse uma testemunha das mudanças que tiraram da cidade os ares provincianos dos anos 50, desenhando o perfil nervoso e palpitante da BH de agora."

Sob nova administração

Motivado pelo convênio assinado entre o Governo do Estado e do Município, em 26 de junho de 2003, a administração do Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro passa para o Município com a finalidade de atender o interesse público no que se refere à prestação dos serviços de infraestrutura para os usuários do TERGIP.

É desta maneira que em 27 de junho de 2003, iniciam-se os trabalhos da Prefeitura com vistas a promover uma administração em que os direitos e deveres dos cidadãos são respeitados. Organiza -se uma estrutura administrativa que estabelece a criação do Regimento Interno, o qual direciona todas as ações implementadas.

Em 2005, com as mudanças promovidas pela atual gestão no organograma da Prefeitura, o Terminal apresenta-se como uma gerência da Secretaria de Administração Regional Municipal Centro-Sul.

Fontes: Arquivo Público de Belo Horizonte, Biblioteca Pública, Gerência de Patrimônio Histórico e Urbano de Belo Horizonte, Imprensa Oficial.