O Distrito de Venda Nova

O Distrito de Venda Nova pertence a Belo Horizonte e foi contemporâneo do distrito de Curral D’el Rey, que juntamente com Ribeirão das Neves, Contagem, Vespasiano, Santa Luzia, Lagoa Santa, Betim, Esmeraldas e Nova Lima pertenciam à Vila de Sabará, importante cidade do ciclo do ouro. Todos os municípios que hoje formam a Rede Metropolitana de Belo Horizonte, entre outros, desenvolveram-se em terras pertencentes a esse município, primeira e mais importante cidade da região, antes da construção da Nova Capital de Minas, Belo Horizonte. Todas essas localidades emanciparam-se, paulatinamente, tornando-se cidades.

Segundo tradição oral, a povoação do nosso Distrito começou em 1711, completando 299 anos em 2010. Venda Nova serviu de pouso para tropeiros que passavam por aqui com gados e mercadorias (vindo da Bahia, seguindo o Rio São Francisco e depois o Rio das Velhas) para abastecer as minas de ouro.
A atual rua Padre Pedro Pinto, antiga rua Direita e Estrada do Carretão, por onde passavam os tropeiros, é uma parte que restou, com o traçado original, do antigo Caminho dos Currais da Bahia. Os Caminhos, que não passavam de trilhas de gado e de tropeiros, vindos do Norte, do Nordeste e do Sul para as minas, foram muito importantes no povoamento do centro do Brasil, na expansão de nossas fronteiras e na união dos estados brasileiros.

Histórico

O mais antigo documento conhecido sobre Venda Nova é a solicitação de uma licença para funcionamento de uma venda em 1781, cujo fato demonstra a vocação comercial do distrito que, no início do povoamento, tinha o comércio, a agricultura e a pecuária como suas principais atividades. Não se tem certeza, apesar das muitas pesquisas sobre a origem do nome - Venda Nova – mas consta da tradição oral que um comerciante construiu uma Venda maior e mais bem feita que as outras. Então, os viajantes diziam: "Vamos parar naquela venda nova". E o nome pegou.

A primeira Sesmaria (grandes terrenos doados pelo Rei de Portugal a quem quisesse explorá-los) que deu origem ao Distrito De Venda Nova foi doada em 23 de Janeiro de 1711, a Ignácio da Rocha Feyo. Para se ter uma idéia do seu tamanho, basta dizer que sua sede (moradia do proprietário) ficava em Bento Pires, onde é hoje a Toca da Raposa, às margens da Lagoa da Pampulha. Posteriormente, ela foi doada a Mathias de Castro Porto, em 08 de outubro de 1840, cujo descendente, Antônio de Castro Porto, doou a Santo Antônio, no início do século XIX, uma parte das terras da Fazenda de Bento Pires para melhorias do povoado (era comum ricos proprietários doarem grandes extensões de terras à igreja). Essas terras iam do caminho, denominado de Carreta, atual Rua Padre Pedro Pinto, pelo barranco acima (parte dos atuais bairros Candelária e São João Batista), passando pelo Córrego do Nado, atual Av. Dr. Álvaro Camargo, chegando ao Córrego do Vilarinho, atual Av. Vilarinho, indo até o caminho que vem do Carretão, atualmente, esquina da Av. Vilarinho com Rua Padre Pedro Pinto, formando um retângulo. Essas terras abrangem, em nossos dias, o Centro Histórico e Comercial do Distrito de Venda Nova.

Durante quase trezentos anos, o Distrito de Venda Nova esteve ligado administrativamente a Sabará, ao Curral D’el Rey, a Santa Luzia e até a Campanha (atual Justinópolis). Em 1949, foi anexado definitivamente a Belo Horizonte pela lei Estadual nº 336, de 27 de Dezembro de 1948, atendendo reivindicação da comunidade local. Atualmente, com as estradas asfaltadas e os meios modernos de transporte, a importância dos distritos perdeu-se nas grandes cidades. Eles tinham peso político, elegiam representantes junto às sedes; tinham direito a sediar Campanhas de Ordenança (policiamento), tinham igreja, padre, delegado, juiz, escrivão, tabelião, cartório, juiz de paz (que fazia casamento civil), professor, correio, etc.; tinham, enfim, uma organização. Nos dias atuais, se podemos realizar registros de nascimento e morte; casamento civil, escritura de lotes e casas; reconhecimento de firma aqui mesmo em Venda Nova, sem precisar ir ao centro de Belo Horizonte; é porque conservamos a condição de Distrito e, por isso, temos um cartório.

De Distrito a Administração Regional

O distrito de Venda Nova começa ao lado do Minas Shopping, abrangendo os bairros 1º de Maio, São Gabriel, Tupi, Etelvina Carneiro, Jaqueline, Celestino até o bairro Céu azul e Mangueiras, passando pela margem norte da Lagoa da Pampulha, incluindo os bairros Itapoã, Planalto, Floramar, São Bernardo, Jardim Atlântico, Santa Amélia, Santa Branca, Santa Mônica, Leblon, Lagoinha, Lagoa, Mantiqueira, Maria Helena, Vila Clóris, Minas Caixa, Parque São Pedro, Serra Verde, Nova York, Jardim dos Comerciários, Jardim Europa, São João Batista, Piratininga, Rio Branco, etc. Ele faz divisa com os municípios de Vespasiano, Santa Luzia, Ribeirão das Neves, Contagem e com a sua sede, Belo Horizonte. Em 1973, na gestão do então prefeito Oswaldo Pierucetti, foi criada a Administração Regional de Venda Nova, atendendo reivindicação da comunidade para descentralizar vários serviços prestados pela Prefeitura de Belo Horizonte, facilitando a vida dos moradores da região. Nessa época, foi criada também a Regional Barreiro. Em 1987, foram criadas mais sete Regionais em Belo Horizonte, partindo o distrito quase ao meio, definindo a área da Regional Venda Nova, da Regional Norte e parte da Regional Pampulha, sem consulta à população local.

Atualmente, o Distrito de Venda Nova ocupa um área de 86 km, que representa 25,6% do município de Belo Horizonte, abrangendo as áreas das jurisdições das Administrações Regionais de Venda Nova, Norte e parte da Regional Pampulha , com mais de 100 bairros. Segundo o censo do IBGE de 2000, a Regional Venda Nova tem uma População de 242.341 habitantes, sendo 125.100 mulheres e 117.241 homens, numa extensão de 27,6km2. Muitos moradores da região estranham que Venda Nova seja tão antiga, contemporânea de Curral D’el Rey, mais velha que Belo Horizonte. Acham que o bairro, como se referem a Venda Nova, só teria uns 60 a 70 anos. Isso ocorre porque o desenvolvimento do povoado aconteceu muito lentamente. Até a década de 40 do século XX, raras eram as pessoas que se mudavam para a região. Eram, quase sempre, as mesmas famílias; todos se conheciam ou eram aparentados, características preservadas na região central de Venda Nova. O crescimento acelerado de Belo Horizonte, nas ultimas décadas, influenciou todos os municípios e distritos vizinhos da capital, incluindo Venda Nova.

A construção do aeroporto da Pampulha, da Base Aérea e conseqüente mudança de vários militares da aeronáutica que aqui fixaram residência; a construção da Lagoa da Pampulha com seu complexo urbanístico; a abertura da Av. Antônio Carlos e, posteriormente, da Estrada da Pampulha a Venda Nova, em 1946 (atual Av. Pedro I); contribuíram para tirá-la de seu isolamento. A anexação definitiva do Distrito de Venda Nova a Belo Horizonte foi outro fator preponderante para o início do crescimento acelerado das últimas décadas. Venda Nova fazia parte do "Cinturão Verde" de Belo Horizonte. Nas margens dos córregos da região, ainda limpos, eram plantadas verduras que iam abastecer a capital. Na década de 30, famílias de japoneses e alguns alemães mudaram-se para a região, em busca de um micro clima mais frio e de terras agricultáveis. Esses novos agricultores influenciaram beneficamente vários costumes locais, com suas hortas e pomares belíssimos. Seus descendentes continuaram entre nós.

Ocupação da terra

A ocupação das terras da região ocorreu com o surgimento de grandes e pequenas fazendas, sítios e chácaras. No final da década de 50 e principio da década de 60, muitos dos proprietários dessas terras começaram a vendê-las a imobiliárias, com medo da propalada reforma urbana anunciada por políticos da época. Essas imobiliárias ou os próprios donos das terras fizeram loteamento sem nenhuma infra-estrutura, atraindo muitos compradores, pois os lotes eram mais baratos do que em outros bairros. Com o grande êxodo rural (êxodo rural é quando as pessoas deixam o interior e o campo, em busca de trabalho na cidade grande) das últimas décadas, muitos desses migrantes encontraram abrigo em Venda Nova, contribuindo com a explosão demográfica da região, que passou de um lugar calmo, tranqüilo, quase uma cidadezinha do interior, para uma cidade-dormitório, com os benefícios e problemas característicos dos grandes centros urbanos.

Descentralização administrativa

A criação da Administração Regional de Venda Nova (ARVN), em 1973, foi um fator importante para o progresso local. Além de trazer a Prefeitura de Belo Horizonte para mais perto da comunidade, permitiu que as reivindicações do cidadão local pelos seus direitos fossem ouvidas. O alargamento e as melhorias da Rua Padre Pedro Pinto, no início da década de 90; a aprovação do Centro Urbano de Venda Nova, pela Prefeitura de Belo Horizonte, em 1995; a canalização do Córrego do Vilarinho e a modernização da MG-10, estrada que corta o Distrito; foram fatores de grande progresso comercial na região. A luta pela melhoria das condições de vida da comunidade passa pela implantação na região de empreendimentos geradores de renda e emprego, garantidos pelo Plano Diretor de Venda Nova. A implantação do Centro Administrativo do Governo do Estado (CAMG), nas imediações do Jóquei Club do bairro Serra Verde, vem de encontro aos anseios da comunidade.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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