Hospital Sofia Feldman realiza curso para Doulas Comunitárias


Atualmente 80 doulas atuam em seis maternidades públicas da capital



O Hospital Sofia Feldman capacitou, nesta semana, mais 42 mulheres para trabalharem na Rede SUS-BH como Doulas Comunitárias – voluntárias que oferecem apoio físico e emocional às parturientes antes e depois do parto. A iniciativa, que faz parte da Política Nacional de Humanização de Assistência ao Parto e Nascimento, é uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA) e o Ministério da Saúde (MS).

O curso de capacitação, com carga horária de 32 horas – que são dividas entre aulas teóricas e práticas – teve início nesta segunda-feira (27/09). Durante as aulas, as mulheres aprendem técnicas de massagens, relaxamento e exercícios físicos. Na segunda parte do curso, cada aluna é direcionada para uma das maternidades da rede pública da capital.

Dona Maria Marcelina Peixoto, 72 anos, dos quais 37 dedicados a enfermagem, viu no curso a chance de voltar para o cotidiano hospitalar. “Depois que me aposentei, senti falta do trabalho e do contato que tinha com outros pacientes. Por isso, decidi fazer o curso para doula. Sempre gostei de ajudar outras pessoas”, diz ela, que seria encaminhada para a Maternidade Odete Valadares.

Já a Agente Comunitária de Saúde (ACS) Solange Cristina Gouveia, 39 anos, que trabalha no Centro de Saúde Venda Nova, pretende aplicar os conhecimentos adquiridos no seu dia a dia profissional. “É importante termos essas noções, pois nós, agentes de saúde, temos o primeiro contato com as gestantes”.

Dona Maria Mazarelo de Freitas, 74 anos, mãe de seis filhos, avó de 16 netos e dois bisnetos, trabalha há 12 anos como doula. A aposentada, que trabalha no Hospital Sofia Feldman, é uma das instrutoras do curso. Segundo ela, para ser uma boa doula é “fundamental gostar de ajudar outras pessoas”. Perguntada sobre quantas mães já teria acompanhado ao longo de todo esse tempo, ela sorri e arrisca um palpite. “Foram muitas. Talvez umas cinco mil, não sei”.

Hoje, cerca de 80 doulas estão presentes em seis maternidades de Belo Horizonte que atendem ao Sistema Único de Saúde (SUS): Hospital Odilon Behrens, Hospital Risoleta Neves, Hospital Sofia Feldman, Santa Casa de Misericórdia, Maternidade Odete Valadares e Hospital Júlia Kubitschek.

A figura da doula foi implantada pelo Ministério da Saúde como parte de uma política nacional de assistência ao parto em 2002. Em 2006, foi adotada pela SMSA. “A iniciativa Doula Comunitária tem como característica auxiliar no resgate do caráter natural e fisiológico do parto e nascimento, permitindo à mulher uma participação ativa neste momento”, explica a psicóloga Júlia Cristina Amaral Horta – referência técnica do projeto das doulas no Hospital Sofia Feldman.

Saúde da mulher 



Mais que uma estratégia de humanização no atendimento às futuras mães, a iniciativa tem contribuído para melhorar vários indicadores relacionados à saúde da mulher, como a redução do índice de cesarianas e do tempo do trabalho de parto, por exemplo.

“Estudos internacionais baseados em grandes amostras populacionais, já confirmaram que o apoio emocional que a gestante recebe na hora do parto, não apenas da doula, mas também de uma ampla equipe multidisciplinar, reflete diretamente na melhora da saúde da mulher em vários aspectos, como redução do trabalho de parto e também queda no número de cesarianas”, afirma a médica pediatra Sônia Lansky – Coordenadora da Comissão Perinatal da SMSA.

No Hospital Sofia Feldman, por exemplo, que conta com o trabalho das doulas há 13 anos, o índice de mulheres que realizaram o parto normal no primeiro semestre deste ano chegou a 79,3% de um total de 4.772 partos. No último ano, o índice de partos normais entre as seis maternidades da rede SUS-BH também foi positivo e chegou a 73,3%.

Segundo especialistas, o parto normal proporciona uma recuperação mais rápida, o que deixa a mãe mais tranqüila, favorecendo assim a lactação. Outra vantagem apontada pelos médicos é a ausência de dores no pós-parto. 

Doula 
Doula é uma palavra de origem grega que significa “Mulher que serve a outra”. São voluntárias com habilidades para cuidar e ajudar outra mulher que está dando a luz. Elas transmitem segurança à mulher para que o parto e o nascimento ocorram da melhor forma possível. Para ser doula é necessário ser do sexo feminino, ser maior de 21 anos e ter disponibilidade para 12 horas de trabalho semanal (plantão diurno ou noturno). As inscrições podem ser realizadas pelos telefones 3277-7722 e 3277-5053. 

Além do aumento da qualidade e da grande contribuição para a humanização do atendimento, a presença amigável e constante das doulas produz ainda os seguintes resultados:

  • Redução do tempo de trabalho de parto;
  • Redução do uso de medicação para alívio da dor
  • Redução do índice de cesárea;
  • Aumento da taxa de aleitamento materno, exclusivo ao seio;
  • Resguardo de um tratamento individualizado personalizado à mulher, fortalecendo-a como cidadã diante do aparato médico-institucionalizado;
  • Maior segurança e satisfação da mulher e de seus familiares durante o trabalho de parto e o puerpério, possibilitando singularidade e emoção no momento do nascimento de uma nova vida;
  • Incentivo ao resgate da tradição, segurança e simplicidade do parto normal. 

Fonte: Hospital Sofia Feldman

 

 

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